segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Os degraus

Não desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros.
Não subas aos sótãos - onde
Os deuses, por trás das suas máscaras,
Ocultam o próprio enigma.
Não desças, não subas, fica.
O mistério está é na tua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo...

(Baú de Espantos)


Figura: Magritte - La Victoire

DIA DE CHUVA



Dia de chuva
É para a gente rasgar cartas antigas...
Folhear lentamente um livro de poemas...
Não escrever nenhum...



(Preparativos de viagem)



Figura: Laura Den Hertog - Girl

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

713.789


O bom das segundas-feiras do primeiro de cada mês e do Primeiro do Ano é que nos dão a ilusão que a vida se renova...
Que seria de nós se a folhinha marcando hoje o dia 713.789 da era cristã?


Mario Quintana

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

1º de Janeiro


A gente começa o ano como quem começa a ler um romance cujo enredo nos interessa muito por ser a história da nossa própria vida.

Mario Quintana


Foto: Isabel Guerra - Por tua palavra viverei na claridade.

EXPRESSÕES


A expressão mais idiota que existe é "adeusinho."

Mario Quintana


Foto: Magritte - La Promesse

sábado, 26 de dezembro de 2009

MAGIAS


Conheço uma cidade azul.

Conheço uma cidade cor de ferrugem.

Na primeira, há helicópteros pairando...

Na segunda, espiam de seus esconderijos os olhos das ratazanas.

No entanto

é a mesma cidade

e,

onde a gente estiver,

será sempre uma alma extraviada em labirintos escusos

ou, então,

uma alma perdida de amor...

Sim! Por ser habitado por almas

é que esse nosso mundo é um mundo mágico...

onde cada coisa – a cada passo que se der

vai mudando de aspecto...

de forma

de cor...

Vai mudando de alma!



Mario Quintana

PREGUIÇA


Certa vez abalancei-me a um trabalho intitulado “Preguiça”. Constava do título e duas belas colunas em branco, com a minha assinatura no fim. Infelizmente não foi aceito pelo supercilioso coordenador da página literária.

Já viram desconfiança igual?

Censurar uma página em branco é o cúmulo da censura.


(Caderno H)