domingo, 2 de maio de 2010

Camuflagem



A hortência é uma couve-flor pintada de azul.


Mario Quintana

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Bilhete com endereço


Mas onde já se ouviu falar
Num amor a distância,
Num (tele-amor)?!
Num amor de longe...
Eu sonho é um amor pertinho
Um amor juntinho...
E, depois,
Esse calor humano é uma coisa
Que todos - até os executivos - têm.
É algo que acaba se perdendo no ar,
No vento
No frio que agora faz...
Escuta!
O que eu quero,
O que eu amo,
O que desejo em ti

É o teu calor animal!...


( Baú de espantos)

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Hai-Kai de Outono

Uma borboleta amarela?
Ou uma folha seca
Que se desprendeu e não quis pousar?

Mario Quintana

domingo, 18 de abril de 2010

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Bilhete a Mario Quintana



Cuidadosamente

o anjo do computador

enumera

os meus pecados


E, eu

que há muito me perdoei

enquanto os amigos pedem outra cerveja

pago mais uma prestação de um sítio

em Aldebarã.


Ruy Espinheira Filho

quinta-feira, 18 de março de 2010

A casa em ruínas


Uma única porta

No último muro de uma casa em ruínas.

Cuidado...

Quem atravessar essa porta, à noite,

Pode ficar para sempre no Outro Mundo!


Mario Quintana

Lunar


As casas cerraram seus milhares de pálpebras. As ruas pouco a pouco deixaram de andar. Só a lua multiplicou-se em todos os poços e poças. Tudo está sob a encantação lunar... E que importa se uns nossos artefatos lá conseguiram afinal chegar? Fiquem armando os sábios seus bodoques: a própria lua tem sua usina de luar... E mesmo o cão que está ladrando agora é mais humano do que todas as máquinas. Sinto-me artificial com esta esferográfica. Não tanto... Alguém me há de ler com um meio sorriso cúmplice... Deixo pena e papel... E, num feitiço antigo, à luz da lua inteiramente me luarizo...

Mario Quintana