terça-feira, 4 de maio de 2010

Uma Linda Homenagem ao poeta Mario Quintana


Transcrevo aqui o que Taís Luso escreveu no seu blog Porto das Crônicas.
Para aqueles que amam Quintana, ela disse tudo o que cada um de nós gostaria de ter dito. Obrigada Taís por essa homenagem.

Meu Poeta Mario Quintana

"Quando leio Quintana, sinto um poeta que entendeu a vida de uma maneira única, que falava da solidão, da bondade e da felicidade com a mesma tranquilidade que falava na sua doce prometida – a morte.

Falava com a sabedoria de quem não apenas passou pela vida; mas deixou que a vida passasse, que rolasse e que esperneasse... E seguia ele com suas musas, com seus sonhos e quem sabe com seus devaneios...

E que delícia são seus poemas que falam de tudo, de uma maneira translúcida, com uma deliciosa ironia e um sarcasmo ferino! Mas assim era ele; dava a impressão de que brincava com a vida.

Já andei esbarrando com muitos escritores nos shoppings, em livrarias, na Feira do Livro e nos eventos culturais de Porto Alegre, e olhava ali... olhava lá... Via todos, falei com alguns, mas nunca vi o meu poeta. Nunca pude dizer: olha ali o Quintana!!

Mas não sei se ao vê-lo não ficaria muda e parada! Sim, porque quem conheceu o poeta – ao menos pela televisão – lembra de sua ironia refinada e surpreendente. Dava seu recado sem tradução, e a gente que se virasse, que aprendesse a captar o espírito da coisa.

Aprendi com ele a ver as belezas de Porto Alegre, suas ruas antigas, suas ladeiras, a beleza do vento numa tarde de outono. Aprendi a amar a nossa gente. Aprendi como é linda a simplicidade. Aprendi que é na simplicidade que conseguimos tocar todas as almas. E ele conseguiu. E como conseguiu!

Quando leio o seu poema O Mapa , lembro que também passei pelas mesmas esquinas esquisitas, talvez as mesmas moças eu vi... E caminhei pelas mesmas ruas que ele caminhou. Também já pensei, se no dia em que eu for poeira ou folha lavada, também farei parte do nada?

Seus poemas consolam. Aprendi que um dia, quando a morte chegar de mansinho e disser: Anda, vem dormir... Talvez eu já esteja preparada.

Levarei a mágoa de nunca ter visto meu poeta de perto, levarei um ciúme de não ter sido uma de suas musas... Quem não gostaria de inspirar o poeta em suas noites de solidão e talvez de agonia, fazendo parte de seus eternos rabiscos?

Mas depois de ter lido muitos de seus poemas até já perdi minha aflição: que eu passarei e todos passarão, é certo: só não se repetirá o que aconteceu no dia em que Deus o levou: fez dele um PASSARINHO!

Thaís Luso de Carvalho

POEMINHA DO CONTRA

Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão... Eu passarinho!


domingo, 2 de maio de 2010

Camuflagem



A hortência é uma couve-flor pintada de azul.


Mario Quintana

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Bilhete com endereço


Mas onde já se ouviu falar
Num amor a distância,
Num (tele-amor)?!
Num amor de longe...
Eu sonho é um amor pertinho
Um amor juntinho...
E, depois,
Esse calor humano é uma coisa
Que todos - até os executivos - têm.
É algo que acaba se perdendo no ar,
No vento
No frio que agora faz...
Escuta!
O que eu quero,
O que eu amo,
O que desejo em ti

É o teu calor animal!...


( Baú de espantos)

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Hai-Kai de Outono

Uma borboleta amarela?
Ou uma folha seca
Que se desprendeu e não quis pousar?

Mario Quintana

domingo, 18 de abril de 2010

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Bilhete a Mario Quintana



Cuidadosamente

o anjo do computador

enumera

os meus pecados


E, eu

que há muito me perdoei

enquanto os amigos pedem outra cerveja

pago mais uma prestação de um sítio

em Aldebarã.


Ruy Espinheira Filho

quinta-feira, 18 de março de 2010

A casa em ruínas


Uma única porta

No último muro de uma casa em ruínas.

Cuidado...

Quem atravessar essa porta, à noite,

Pode ficar para sempre no Outro Mundo!


Mario Quintana