Às vezes tudo se ilumina de uma intensa irrealidade, e é como se agora este pobre, este único, este efêmero minuto do mundo estivesse pintado numa tela, sempre...
As grandes damas usavam grandes chapéus, cheios de flores e de passarinhos. As flores feneceram, porque até as flores artificiais fenecem. Os passarinhos voaram e foram pousar nos últimos parques, onde iludem agora os seus últimos freqüentadores. Sim! As grandes damas usavam grandes chapéus... Eram cheios de flores e de passarinhos!
Ele não está simplesmente na primeira linha dos poetas brasileiros: na verdade, Mario Quintana assume uma posição que bem poucos dessa primeira linha conseguiram assumir. Lido com igual carinho pelos que começam hoje a fazer literatura como por escritores já inteiramente consagrados do País, ele é também um nome popular, um artista que sensibiliza o público e o vai tornando cada vez mais amigo da poesia. Ao longo dos anos, mesmo não lutando por isso, Quintana fez-se poeta de aceitação unânime: nós todos aprendemos a ver na obra dele - essa obra tão sutil e tão hábil como idéia e como forma - uma síntese feliz de domínio artístico e de lúcida apreensão da existência.
Prefácio do livro de Mario Quintana: Nova Antologia Poética da Editora Globo 3ª Edição - 1985