sábado, 13 de novembro de 2010

Delícia de ...


Delícia de fechar os olhos por um instante e assim ficar, sozinho, fabricando escuro... sabendo que existe a luz!


Mario Quintana - Caderno H

Conversa Noturna



- O mais triste, do vento do deserto é que é um vento analfabeto – dizia um vento da cidade a uma tabuleta oscilante.
- Não – rinchava a tabuleta – o mais triste do vento do deserto é que ele não tem recordações.
- Sempre sentimental, essa velha pintada...
- pensou consigo o vento da cidade, passando adiante.
O vento da cidade era um pedante.
O lampião da esquina não dizia nada: ardia de febre.


Mario Quintana - Caderno H

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

As vacas


Porto Alegre recebe as vaquinhas da "CowParade" e, esta foi colocada junto ao CCMQ (Centro Cultural Mario Quintana).
Fico imaginando o encontro do Quintana com esta e as outras vacas espalhadas pela cidade... iria render muitos poemas coloridos.



A foto eu peguei AQUI
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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Pequeno inventário



Os cabelos encaracolados das chamas
Os lisos cabelos do vento
O cabelo rente da grama

Os grandes pés ausentes dos deuses de pedra
Os pés volantes do medo
Os pés ridiculamente em enquadro dos assassinados.

Os meus dedos em leque onde se incrustam as estrelas
Os meus dedos em grade
Os meus dedos em grade
Os meus dedos em grade, ah, que eu não
consigo atravessar!


Mario Quintana

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Que pena!


Sobre o espetáculo QUINTANARIA.

Que pena! Não conseguiram fazer uma apresentação a nível de Quintana.
Foi um espetáculo sem expressão, vozes fracas e sem projeção.
Os poemas interpretados se tornaram quase cômicos, um espetáculo para crianças bobas.
Não conseguiram entender a sutileza, a malícia e a doce ironia que existe na obra do Quintana.

Perfeita, esta definição sobre a poesia de Quintana:

A poesia de Quintana se faz de reticências. Seus versos ocupam o exato espaço entre os pontos destas. (Nilton Maia)



A foto não ficou boa, pois como não era permitido fotografar o espetáculo, esta foi tirada antes de começar, com o palco ainda às escuras.

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terça-feira, 21 de setembro de 2010

Poesia


Às vezes tudo se ilumina de uma intensa irrealidade, e é como se agora este pobre, este único, este efêmero minuto do mundo estivesse pintado numa tela, sempre...


Mario Quintana - Porta Giratória

domingo, 12 de setembro de 2010

Elegia Ecológica




As grandes damas usavam grandes chapéus, cheios de flores e de passarinhos.
As flores feneceram, porque até as flores artificiais fenecem.
Os passarinhos voaram e foram pousar nos últimos parques, onde iludem agora os seus últimos freqüentadores.
Sim! As grandes damas usavam grandes chapéus...
Eram cheios de flores e de passarinhos!


Mario Quintana - Esconderijos do Tempo