quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Relógio



O mais feroz dos animais domésticos é o relógio de parede: conheço um que já devorou três gerações da minha família.


Mario Quintana

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Viver



Quem nunca quis morrer
Não sabe o que é viver
Não sabe que viver é abrir uma janela
E pássaros pássaros sairão por ela
E hipocampos fosforescentes
Medusas translúcidas
Radiadas
Estrelas-do-mar... Ah,
Viver é sair de repente
Do fundo do mar
E voar...
e voar...
cada vez para mais alto
Como depois de se morrer!


Mario Quintana - Baú de Espantos

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sábado, 13 de novembro de 2010

Delícia de ...


Delícia de fechar os olhos por um instante e assim ficar, sozinho, fabricando escuro... sabendo que existe a luz!


Mario Quintana - Caderno H

Conversa Noturna



- O mais triste, do vento do deserto é que é um vento analfabeto – dizia um vento da cidade a uma tabuleta oscilante.
- Não – rinchava a tabuleta – o mais triste do vento do deserto é que ele não tem recordações.
- Sempre sentimental, essa velha pintada...
- pensou consigo o vento da cidade, passando adiante.
O vento da cidade era um pedante.
O lampião da esquina não dizia nada: ardia de febre.


Mario Quintana - Caderno H

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

As vacas


Porto Alegre recebe as vaquinhas da "CowParade" e, esta foi colocada junto ao CCMQ (Centro Cultural Mario Quintana).
Fico imaginando o encontro do Quintana com esta e as outras vacas espalhadas pela cidade... iria render muitos poemas coloridos.



A foto eu peguei AQUI
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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Pequeno inventário



Os cabelos encaracolados das chamas
Os lisos cabelos do vento
O cabelo rente da grama

Os grandes pés ausentes dos deuses de pedra
Os pés volantes do medo
Os pés ridiculamente em enquadro dos assassinados.

Os meus dedos em leque onde se incrustam as estrelas
Os meus dedos em grade
Os meus dedos em grade
Os meus dedos em grade, ah, que eu não
consigo atravessar!


Mario Quintana

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Que pena!


Sobre o espetáculo QUINTANARIA.

Que pena! Não conseguiram fazer uma apresentação a nível de Quintana.
Foi um espetáculo sem expressão, vozes fracas e sem projeção.
Os poemas interpretados se tornaram quase cômicos, um espetáculo para crianças bobas.
Não conseguiram entender a sutileza, a malícia e a doce ironia que existe na obra do Quintana.

Perfeita, esta definição sobre a poesia de Quintana:

A poesia de Quintana se faz de reticências. Seus versos ocupam o exato espaço entre os pontos destas. (Nilton Maia)



A foto não ficou boa, pois como não era permitido fotografar o espetáculo, esta foi tirada antes de começar, com o palco ainda às escuras.

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