domingo, 6 de fevereiro de 2011

Há um grande silêncio


Há um grande silêncio que está sempre à escuta.
E por todo o sempre, enquanto a gente fala, fala, fala
o silêncio escuta...
e cala.


Mario Quintana

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Uns e Outros


Esses cachorros da rua, que nós aqui chamamos guaipecas e cujo pedigree é do mais puro pot-pourri, capaz de enlouquecer qualquer genealogista canino - você já repararam como são alegres, espertos, afetuosos?
Só os de pura raça são graves e creio que tristes como os faraós egípcios, os chefes incaicos, os príncipes astecas.


Mario Quintana - A vaca e o hipogrifo

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

O Papão



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De dia ele gostava de dormir e de noite ficava comendo barras de chocolate com café preto. Nas sextas-feiras eu o levava a passear de automóvel. Íamos num bar à beira do rio Guaíba comer pasteizinhos de camarão, que ele gostava muito. Uma vez o levei à sede de um clube náutico. Havia muita gente, logo ele foi reconhecido e vieram muitas crianças para vê-lo. Uma vovó beijou sua mão. Ele disse: "Não beije minha mão, não sou o Papa". E voltando-se para mim, acrescentou: "Sou o Papão".
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Pequeno trecho do texto: "Quem é Mario Quintana", escrito por Sérgio Faraco no livro Sapato Furado, de Quintana.

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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

A tentação e o Anagrama

Apontamentos de história Natural




Os leões selvagens quase não tem juba: brigam como mulheres, arrancando-se os cabelos. E teriam o maior desprezo, se um dia vissem, pelos leões do zôo e de circo, a quem acusariam de usar perucas. Aliás, magníficas peruca a Luis XIV.


Mario Quintana

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Identidade



Em 1986, ano dos seus 80 anos, ele caminhava bastante, por recomendação médica. Andava pela André da Rocha, a rua do hotel Porto Alegre Residence, onde vivia, e pelas imediações. Nessas caminhadas simpatizou com uma arvorezinha plantada na calçada. Frágil e sem proteção, logo seria quebrada. Achou que alguém precisava cuidar da árvore e tanto fez que sua sobrinha Elena resolveu ligar para a Secretaria Municipal do Meio Ambiente.
Informado sobre o autor do pedido, o secretário determinou que providenciassem uma grade e aproveitou para promover uma cerimônia de inauguração, tendo o Quintana como padrinho da árvore. Durante a solenidade, um repórter de TV quis testar os conhecimentos de botânica do poeta:
- Qual é o nome dessa árvore?
- Eu não sei. Mas ela também não sabe o meu...

Dias depois Quintana deu um nome à afilhada: Gabriela.



Do livro: Ora Bolas - O Humor Cotidiano de Mario Quintana - Juarez Fonseca - Artes e Ofícios
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