sábado, 30 de julho de 2011

Um Rio... de saudades


Feliz Aniversário para Quintana... com um Rio de Saudades.

O Rio

A morte é um rio onde a gente
Embarca de olhos fechados
Se queres partir contente
Nada deixes deste lado.
É deste lado de cá
Que moram nossos cuidados.
Penas que amor nos deixou
São penas que o vento trouxe
São pelo vento levadas.
Fecha os olhos bem fechados
Basta de tanta rima em "ados"
Dorme o teu sono profundo
Longe, cada vez mais longe
Deste mundo e seus cuidados.


Mario Quintana

.....................

sexta-feira, 15 de julho de 2011

POEMA TRANSITÓRIO



Eu que nasci na Era da Fumaça: - trenzinho
vagaroso com vagarosas
paradas
em cada estaçãozinha pobre
para comprar
pastéis
pés de moleque
sonhos
- principalmente sonhos!
porque as moças da cidade vinham olhar o trem passar:
elas suspirando maravilhosas viagens
e a gente com um desejo súbito de ali ficar morando
sempre... nisto,
o apito da locomotiva
e o trem se afastando
e o trem arquejando
é preciso partir
é preciso chegar
é preciso partir é preciso chegar... Ah, como essa vida é urgente!
... no entanto
eu gostava era mesmo de partir...
e – até hoje – quando embarco
para alguma parte
acomodo-me no meu lugar
fecho os olhos e sonho:
viajar, viajar
mas para parte nenhuma...
viajar indefinidamente...
como uma nave espacial perdida entre as estrelas.


Mario Quintana

sábado, 9 de julho de 2011

Dois Anos do Blog




O Poeta começa o Dia

Pela janela atiro meus sapatos, meu ouro, minha alma ao meio da rua.
Como Harum-al-Raschid, eu saio incógnito, feliz de desperdício...
Me espera o ônibus, o horário, a morte - que importa?
Eu sei me teleportar: estou agora
Em um Mercado Estelar... E olha!
Acabo de trocar
- em meio aos ruídos de rua
alheio aos risos da rua -
todas as jubas do Sol

por uma trança da Lua!


Mario Quintana


Clique duas vezes na foto para ampliar.

.............................................

Sobre as viagens



O que estraga as viagens, agora, é o seu rápido destino: de repente já estás em Pequim... Benditos, mil vezes benditos aqueles carrosséis que ensinaram aos meninos de meu tempo a pura alegria de viajar!

Mario Quintana

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Comunicação direta


Não me ajeito com os padres, os críticos e os canudinhos de refresco: não há nada que substitua o sabor da comunicação direta.

................................................................

sábado, 7 de maio de 2011

O Batalhão das Letras (E F G H)


E
O E da nossa ESPERANÇA
Que é também o nosso ESCUDO
É o mesmo E das ESCOLAS
Onde se aprende de tudo

F
Com F se escreve FUGA,
FRADES, FLORES e FORMIGAS
E as crianças malcriadas
Com F é que fazem FIGAS.



G
O G é letra importante,
Como assim logo se vê:
Com um G se escreve GLOBO
E o globo GIRA com G.

H
Com H se escreve HOJE
Mas "ontem" não tem H...
Pois o que importa na vida
É o dia que virá!


Mario Quintana

Ilustrações de Rosinha

............................................................

segunda-feira, 4 de abril de 2011

No escuro


Nos últimos tempos Mario gostava de ficar deitado no escuro, quieto, e queria que alguém ficasse com ele. Um dia Elena protestou:
- Mas tio, o que eu vou ficar fazendo aqui, nesta escuridão?
- Senta aí e simplesmente me adora...


Do livro: Ora Bolas (Juarez da Fonseca)

terça-feira, 29 de março de 2011

O Batalhão das Letras (A B C D)


Aqui vão todas as letras,
Desde o A até o Z
Pra você fazer com elas
O que esperam de você...

A

Aí vem o Batalhão das Letras
E, na frente, a comandá-lo,
O A, de pernas abertas,
Montado no seu cavalo.

B

Com um B se escreve BALÃO,
Com um B se escreve BEBÊ,
Com um B os menininhos
jogam BOLA e BILBOQUÊ.


C

Com C se escreve CACHORRO,
Confidente das CRIANÇAS
E que sabe seus amores,
Suas queixas e esperanças...

D

Com um D se escreve DEDO,
Que poderá ser mau ou sábio,
Desde o dedo acusador
Ao D do dedo no lábio...



Mario Quintana

Ilustrações de Rosinha

............................


terça-feira, 22 de março de 2011

O Homem e a Água


Deixa-me ser o que sou,
o que sempre fui,
um rio que vai fluindo.
E o meu destino é seguir... seguir para o mar.
O mar onde tudo recomeça...
Onde tudo se refaz...

Mario Quintana


Foto: Rio Santo Antônio - Sergipe

domingo, 20 de março de 2011

Um passeio


Um passeio pela Casa de Cultura Mario Quintana.
Jacque, que mora em Porto Alegre, foi passear na CCMQ e vejam só o que ela me mandou por e-mail: estas fotos, que para mim são bem valiosas.
Que gesto gentil desta gaúcha tão querida.
Obrigada Jacque, por essa imensa alegria!

Documentos de identidade;

Uma homenagem;

Sua obra;

Certidões de Nascimento e Morte


Além de todo o acervo do nosso Poeta, lá também existe uma lojinha por demais simpática,

que oferece aos visitantes várias opções de presentes e lembrancinhas que tem como tema o nosso querido Mario Quintana.
Livros, cadernos,

chaveiros, quadrinhos

e muitos outros objetos que fazem alusão à obra do Quintana, como estas simpáticas salamandras na parede.

E estes bonequinhos feitos em tecido, que graça!

... e este aqui, veio de avião pra mim.

Enquanto eu não vou à Porto Alegre, vou curtinho meus presentinhos.


E para finalizar o passeio, é só tomar um café acompanhado de tabletinhos de chocolate, como o nosso poeta gostava.
No Café

ou no Bar que fica logo a cima da loja.


Obrigada Jacque.

............................................

domingo, 13 de fevereiro de 2011

O DRAGÃO


Na volta da esquina encontrei um dragão.
- Que belas escamas, senhor dragão! Que luminoso laquê! E as chamas que deitais por vossa goela têm o colorido e o movimento de um balé! E que padrão heráldico, Excelência, que...
O dragão saiu se reboleando.


Mario Quintana

TEORIA DO ESQUECIMENTO



A taça do Rei de Tule
Dorme no fundo das ondas
Ele agora tem um bule
Lisinho, quente e redondo

Mario Quintana

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Há um grande silêncio


Há um grande silêncio que está sempre à escuta.
E por todo o sempre, enquanto a gente fala, fala, fala
o silêncio escuta...
e cala.


Mario Quintana

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Uns e Outros


Esses cachorros da rua, que nós aqui chamamos guaipecas e cujo pedigree é do mais puro pot-pourri, capaz de enlouquecer qualquer genealogista canino - você já repararam como são alegres, espertos, afetuosos?
Só os de pura raça são graves e creio que tristes como os faraós egípcios, os chefes incaicos, os príncipes astecas.


Mario Quintana - A vaca e o hipogrifo

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

O Papão



...............................................................................
De dia ele gostava de dormir e de noite ficava comendo barras de chocolate com café preto. Nas sextas-feiras eu o levava a passear de automóvel. Íamos num bar à beira do rio Guaíba comer pasteizinhos de camarão, que ele gostava muito. Uma vez o levei à sede de um clube náutico. Havia muita gente, logo ele foi reconhecido e vieram muitas crianças para vê-lo. Uma vovó beijou sua mão. Ele disse: "Não beije minha mão, não sou o Papa". E voltando-se para mim, acrescentou: "Sou o Papão".
...............................................................................

Pequeno trecho do texto: "Quem é Mario Quintana", escrito por Sérgio Faraco no livro Sapato Furado, de Quintana.

.....................

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

A tentação e o Anagrama

Apontamentos de história Natural




Os leões selvagens quase não tem juba: brigam como mulheres, arrancando-se os cabelos. E teriam o maior desprezo, se um dia vissem, pelos leões do zôo e de circo, a quem acusariam de usar perucas. Aliás, magníficas peruca a Luis XIV.


Mario Quintana

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Identidade



Em 1986, ano dos seus 80 anos, ele caminhava bastante, por recomendação médica. Andava pela André da Rocha, a rua do hotel Porto Alegre Residence, onde vivia, e pelas imediações. Nessas caminhadas simpatizou com uma arvorezinha plantada na calçada. Frágil e sem proteção, logo seria quebrada. Achou que alguém precisava cuidar da árvore e tanto fez que sua sobrinha Elena resolveu ligar para a Secretaria Municipal do Meio Ambiente.
Informado sobre o autor do pedido, o secretário determinou que providenciassem uma grade e aproveitou para promover uma cerimônia de inauguração, tendo o Quintana como padrinho da árvore. Durante a solenidade, um repórter de TV quis testar os conhecimentos de botânica do poeta:
- Qual é o nome dessa árvore?
- Eu não sei. Mas ela também não sabe o meu...

Dias depois Quintana deu um nome à afilhada: Gabriela.



Do livro: Ora Bolas - O Humor Cotidiano de Mario Quintana - Juarez Fonseca - Artes e Ofícios
..........................

Meias de lã




Dona Mafalda Veríssimo, viúva de Érico, mãe de Luis Fernando, é uma grande tricotadora. Mario freqüentava a casa deles, como um dia disse Érico, “sempre que queria”. Uma especialidade de Dona Mafalda: meias de lã. Fazia muitas e dava de presente a Mario. Estava certa: um homem solteiro, morando em hotel, vítima de uma das piores coisas do inverno gaúcho que são os pés gelados. Quem consegue pegar no sono com os pés gelados? Maternal, ela enchia Mario de meias. Muitas meias. De todas as cores. Até o dia em que ficou sabendo de um comentário dele, feito para mais de uma pessoa:
- Essa Mafalda tem cada uma... Deve estar pensando que eu sou uma centopéia...



Do livro: Ora Bolas - O Humor Cotidiano de Mario Quintana - Juarez Fonseca - Artes e Ofícios