segunda-feira, 7 de maio de 2012
Estréia
O poeta só estreou na literatura com 34 anos, lançando “A Rua dos Cataventos”, em 1940. O livro se opunha ao experimentalismo modernista, recuperando o soneto tradicional. Sua originalidade temática e qualidade técnica, entretanto, fizeram sucesso popular e de crítica.
Mario Quintana publicaria 20 livros individuais de poesia e pequenos poemas em prosa, além de diversas antologias. Escreveu para adultos e crianças com igual excelência lingüística. O longo poema infantil Pé de Pilão e os sonetos de A Rua dos Cataventos se estabeleceram como leituras essenciais da poesia brasileira do século XX.
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quarta-feira, 14 de março de 2012
O dia abriu seu pára-sol bordado
O dia abriu seu pára-sol bordado
de nuvens e de verde ramaria.
E estava até um fumo, que subia,
mi-nu-ci-o-sa-men-te desenhado.
-
Depois surgiu, no céu arqueado,
a Lua – a Lua! – em pleno meio-dia.
Na rua, um menininho que seguia
parou, ficou a olhá-lo admirado…
-
Pus meus sapatos na janela alta,
sobre o rebordo… Céu é que lhes falta
pra suportarem a existência rude!
-
E eles sonham, imóveis, deslumbrados,
que são dois velhos barcos, encalhados
sobre a margem tranquila de um açude…
Mario Quintana
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terça-feira, 22 de novembro de 2011
Bilhete a Mario Quintana
sábado, 8 de outubro de 2011
O Batalhão das Letras (I J K L)

I
O I é a letra do ÍNDIO
Que alguns julgam ILETRADO
Mas o índio é mais sabido
Que muito doutor formado!
J
Com J se escreve JULIETA,
Com J se escreve JOSÉ:
Um joga na borboleta,
O outro no jacaré.

K
O K parece uma letra
Que sozinha vai andando,
Lembra estradas, andarilhos
E passarinhos em bando...
L
O L lembra o doce LAR,
Lembra um casal à LAREIRA!
O L lembra LAZER
Da doce vida solteira...
Mario Quintana
Ilustrações de Rosinha
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sábado, 30 de julho de 2011
Um Rio... de saudades

Feliz Aniversário para Quintana... com um Rio de Saudades.
O Rio
A morte é um rio onde a gente
Embarca de olhos fechados
Se queres partir contente
Nada deixes deste lado.
É deste lado de cá
Que moram nossos cuidados.
Penas que amor nos deixou
São penas que o vento trouxe
São pelo vento levadas.
Fecha os olhos bem fechados
Basta de tanta rima em "ados"
Dorme o teu sono profundo
Longe, cada vez mais longe
Deste mundo e seus cuidados.
Mario Quintana
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sexta-feira, 15 de julho de 2011
POEMA TRANSITÓRIO

Eu que nasci na Era da Fumaça: - trenzinho
vagaroso com vagarosas
paradas
em cada estaçãozinha pobre
para comprar
pastéis
pés de moleque
sonhos
- principalmente sonhos!
porque as moças da cidade vinham olhar o trem passar:
elas suspirando maravilhosas viagens
e a gente com um desejo súbito de ali ficar morando
sempre... nisto,
o apito da locomotiva
e o trem se afastando
e o trem arquejando
é preciso partir
é preciso chegar
é preciso partir é preciso chegar... Ah, como essa vida é urgente!
... no entanto
eu gostava era mesmo de partir...
e – até hoje – quando embarco
para alguma parte
acomodo-me no meu lugar
fecho os olhos e sonho:
viajar, viajar
mas para parte nenhuma...
viajar indefinidamente...
como uma nave espacial perdida entre as estrelas.
Mario Quintana
sábado, 9 de julho de 2011
Dois Anos do Blog
O Poeta começa o Dia
Pela janela atiro meus sapatos, meu ouro, minha alma ao meio da rua.
Como Harum-al-Raschid, eu saio incógnito, feliz de desperdício...
Me espera o ônibus, o horário, a morte - que importa?
Eu sei me teleportar: estou agora
Em um Mercado Estelar... E olha!
Acabo de trocar
- em meio aos ruídos de rua
alheio aos risos da rua -
todas as jubas do Sol
por uma trança da Lua!
Mario Quintana
Clique duas vezes na foto para ampliar.
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