quinta-feira, 19 de julho de 2012

Viração



Voa um par de andorinhas, fazendo verão. E vem uma vontade de rasgar velhas cartas, velhos poemas, velhas contas recebidas. Vontade de mudar de camisa, por fora e por dentro... Vontade... para que esse pudor de certas palavras?... vontade de amar, simplesmente. 


Mario Quintana

sábado, 30 de junho de 2012

O Batalhão das Letras (M, N, O, P)


M
Com M se escreve MÃO.
E agora vê que engraçado:
Na palma da tua mão
Tens um M desenhado

N
N é a letra dos teimosos,
Da gente sem coração:
Com N se escreve - NUNCA!
Com N se escreve - NÃO



O
Outras letras dizem tudo.
Mas o O nos desconcerta.
Parece meio abobalhado:
Sempre está de boca aberta...

P
Quem diz que ama a POESIA
E não a sabe fazer
É apenas um POETA inédito
Que se esqueceu de escrever...


Mario Quintana

Ilustrações de Rosinha
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segunda-feira, 7 de maio de 2012

Estréia

O poeta só estreou na literatura com 34 anos, lançando “A Rua dos Cataventos”, em 1940. O livro se opunha ao experimentalismo modernista, recuperando o soneto tradicional. Sua originalidade temática e qualidade técnica, entretanto, fizeram sucesso popular e de crítica.
Mario Quintana publicaria 20 livros individuais de poesia e pequenos poemas em prosa, além de diversas antologias. Escreveu para adultos e crianças com igual excelência lingüística. O longo poema infantil Pé de Pilão e os sonetos de A Rua dos Cataventos se estabeleceram como leituras essenciais da poesia brasileira do século XX. ....................

quarta-feira, 14 de março de 2012

O dia abriu seu pára-sol bordado



O dia abriu seu pára-sol bordado
de nuvens e de verde ramaria.
E estava até um fumo, que subia,
mi-nu-ci-o-sa-men-te desenhado.
-
Depois surgiu, no céu arqueado,
a Lua – a Lua! – em pleno meio-dia.
Na rua, um menininho que seguia
parou, ficou a olhá-lo admirado…
-
Pus meus sapatos na janela alta,
sobre o rebordo… Céu é que lhes falta
pra suportarem a existência rude!
-
E eles sonham, imóveis, deslumbrados,
que são dois velhos barcos, encalhados
sobre a margem tranquila de um açude…


Mario Quintana

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terça-feira, 22 de novembro de 2011

Bilhete a Mario Quintana


Cuidadosamente
O anjo do computador
Enumera
Os meus pecados

E eu
Que há muito me perdoei
Enquanto os amigos pedem outra cerveja
Pago mais uma prestação de um sítio
Em Aldebarã.


Rui Espinheira Filho (Poesia Reunida e Inéditos)
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sábado, 8 de outubro de 2011

O Batalhão das Letras (I J K L)


I
O I é a letra do ÍNDIO
Que alguns julgam ILETRADO
Mas o índio é mais sabido
Que muito doutor formado!

J
Com J se escreve JULIETA,
Com J se escreve JOSÉ:
Um joga na borboleta,
O outro no jacaré.


K
O K parece uma letra
Que sozinha vai andando,
Lembra estradas, andarilhos
E passarinhos em bando...

L
O L lembra o doce LAR,
Lembra um casal à LAREIRA!
O L lembra LAZER
Da doce vida solteira...

Mario Quintana

Ilustrações de Rosinha
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sábado, 30 de julho de 2011

Um Rio... de saudades


Feliz Aniversário para Quintana... com um Rio de Saudades.

O Rio

A morte é um rio onde a gente
Embarca de olhos fechados
Se queres partir contente
Nada deixes deste lado.
É deste lado de cá
Que moram nossos cuidados.
Penas que amor nos deixou
São penas que o vento trouxe
São pelo vento levadas.
Fecha os olhos bem fechados
Basta de tanta rima em "ados"
Dorme o teu sono profundo
Longe, cada vez mais longe
Deste mundo e seus cuidados.


Mario Quintana

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