sábado, 13 de novembro de 2010

Conversa Noturna



- O mais triste, do vento do deserto é que é um vento analfabeto – dizia um vento da cidade a uma tabuleta oscilante.
- Não – rinchava a tabuleta – o mais triste do vento do deserto é que ele não tem recordações.
- Sempre sentimental, essa velha pintada...
- pensou consigo o vento da cidade, passando adiante.
O vento da cidade era um pedante.
O lampião da esquina não dizia nada: ardia de febre.


Mario Quintana - Caderno H

2 comentários:

  1. Bonito Poema... Sua foto está lindíssima, Estela...

    Beijoooooo

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  2. Uhm... Acho q sou o lampião da esquina. Rs
    Bj

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